Poderia sonhar idealizar um futuro, que tivesse como base a constituição de uma família, filhos, casal estável, cachorro, carro na garagem, casa confortável, plano de saúde, emprego bem remunerado e seguro. Poderia.
Na realidade as coisas não funcionam desta maneira para todos.
De nada vale este conjunto medíocre e reducionista de família padrão social, produto da sociedade de consumo, egocentrismo e alienação.
Triste saber que a grande valia da vida fora resumida a posse, aos bens, ao estético forjado, manipulado, as crenças ideológicas, ao anseio individualista, as grandes utopias do dito “bem-sucedido”.
Oficialização do saber, estruturas físicas concentrando cordeiros pensantes, futuros médicos, bacharéis em direito, engenheiros, economistas privados, etiquetados, expostos no mercado de trabalho, prateleiras saturadas, acirradas, seleção, exclusão, promoção e fortuna, infortúnios e corrupção.
Somos todos ótimos clínicos críticos de tudo e de todos, somos todos reflexo de um, cópias imperfeitas, insignificantes e mesquinhos como as baratas.
As baratas sentem-se proprietárias de tudo, todo o espaço ao alcance de suas imundas patas, comem até o que não pertencem a elas, rastejam por toda parte, sujam, invadem, sentem-se mal por isso? Saíram do ralo para comer os restos do jantar.
O que move o mundo, o que o torna imundo?
Lutamos por aquilo que nos interessa mesmo sendo nós dependentes um do outro.
Fazemos sexo e não amor. Matamos no lugar de salvarmos, acumulamos no lugar de distribuirmos, agredimos e odiamos. Afinal quem precisa de perdão?
Esquecer de Deus e olhar para o mundo, a devastação da natureza, as glórias empacotadas em embalagem para viagem, religiões, poder, dominação e más-intenções.
Espiritualidade descartável vendida em igrejas e templos de conveniência.
Fracos por natureza humana, tolos por nascimento. Hipocrisia, vaidade narcisista, fascista no front do espelho, sociedade em devaneios cores e horrores corporation.
Estamos carregados de mágoas, infelizes como as imagens do cinema, fartos e saciados, na mesa refeições artificiais, sentado McDonald falando ao celular sobre o futuro dessa gente.
[Seguimos por um beco imundo, temos como companhia uma garrafa de vodca e duas carteiras de cigarro, os olhos carregados de anfetamina].
- Somos tão felizes.
Que esquecemos que somos um, e que quando este um falece, morre o mundo e suas entranhas.
- Mas é que somos tão felizes.
Por termos um sorriso cáries.mático e morrermos a cada noite, sem sono e sem sede, as vezes acordando e percebendo que ainda estamos no beco, o imundo beco que começamos. Porém o que tememos, deverás tememos é acabarmos nesse beco.
Não percebem que estão acabando com ele.
Coxas de frango e refresco mesmo estigmatizados como esmola ainda recebe o morador de rua. Favor ou método pequeno-burguês de aliviar a culpa de possuir o galinheiro e todo o terreno das laranjeiras, não importa.
! Um suicídio diário, no diário deixado confissões perturbadas, motivações do êxito, desculpas e desabafos da única sinceridade dita – “ O mundo me enoja”. – é tão corajoso, agressivo e penoso. !
Tem uma fotografia na sala de jantar, nela tem um garoto, no garoto uma sinceridade infantil, pureza e vestígios do contágio hipocrótico nos olhos que ainda brilham.
Quando crescer o pobre que ser mercador de escravos ou subordinado escravo de uma companhia transnacional. O garoto já sabe escrever, ontem à noite ele escreveu que a outros meninos que moram nas ruas e que cheiram cola e pedem esmola, para a compra de mais cola por não terem grana o suficiente para compra de uma verdadeira droga, aquela que os levassem direto para o ralo.
O garoto é atrevido e gay, gosta de outros garotos, beija na boca e dorme junto, mas não mais essa noite, pois um grupo de outros garotos, com coturnos e cabeças peladas, netos da lavagem cerebrina hitleriana, decidiram expor a violência de suas vidas atormentadas, sem heróis a glorificar ou sentido para gozar expondo o sangue e o amor de garotos que se beijavam na esquina.
[O mundo é mesmo uma casca].
Existem camadas protetoras da diversidade e dos raios ultra libertários.
Amanheceu na cidade, na rua direita carros de supermercados são recolhido, um é roubado por um mendigo, agora servirá para ele carregar a sua vida suja por onde quiser.
O Ocidente não lê a bíblia com o coração. Afinal o que nos move retirando as pernas da questão reflexo imperfeito do Uno?
0 comentários:
Postar um comentário