“dO léxico Sombrio"

O abandono é cruel

Não gosta de abandonar

Nem de ser abandonado

Amargo como fel e seco como uma tragada

Gosta de interromper a vida por isso não vive

Abandono, sozinho

Quarto fechado, mal iluminado

Sentado em um canto calado

Chão frio, triste e amargurado

Esquecido, abandonado

Os olhos dizem adeus

Nas mãos o veneno do pecado

A dose que mata, a alma que voa

O pesadelo acordado

No fim da linha um buraco

Negro sem fundo

Nos trilhos, nojentos ratos

Afunda o pescoço

Em águas sombrias, é o fim da vida

“A morte nunca te abandonará...”.

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