Descripción: 40 CM X 53 CM OLEO SOBRE MADERA
Eivar Moya
Novembro de 2010, a polícia enfrenta os traficantes no morro, violência explícita, confronto direto, armas de grosso calibre, tanques e carros blindados, todos os dias novos mortos e feridos.
O problema seria a droga ? Não extamente, o grande problema do Rio de Janeiro e de todos nós são essas polícias, minoria suja que se acha a lei e a ordem, esse Estado podre com seus políticos inescrupulosos e seus militares bastardos.
A população que vive nas favelas deveria ajudar, deveria impedir de suas casas serem revistadas, deveriam apoiar quem vive nas favelas, quem trabalha nela, quem é conhecido como vizinho e camarada, deveriam organizar a resitência popular e expulsar esses soldadinhos da burguesia, caso contrário as favelas irão se tornar palco de horror, como aqueles países em guerra contra o terror, mas que coisa é mais aterrorizante que a polícia invadindo o morro ?
Não ao ataque nas favelas, nessas "zonas de conflitos" existem escolas, crianças, velhos e mulheres, civis desarmados, e não apenas traficantes de drogas, nunca veremos a polícia invadindo os bairros dos ricos, revistando as casas da burguesia, dando tiro na direção dessas casas. Quais as reais intenções dessa "guerra" ?
Escolas fechadas, cidade sitiada, revistas policiais, batidas e toques de recolher, horror e morte.
Acreditem as polícias e o Estado e o exército e suas forças bélicas são os piores inimigos do povo carioca.
Rec Room, 2007,oil on canvas
Coco, 2005, oil on canvas
Jocelyn Hobbie, Nova Iorque / E.U.A - pintora contemporânea
É a lembrança que o menino deixou na escola um dia antes de ter que ir vender bala e chiclete na rua.
Texto na Íntegra
http://www.overmundo.com.br/banco/a-vaca-um-desenho#-banco-19887
RESUMO
Umberto Guaspari Sudbrack
O artigo realiza uma análise interdisciplinar do fenômeno do extermínio de meninos de rua, no Brasil, entre 1985 e 1995, que é resultado da ação de grupos de extermínio, da omissão do Estado e da indiferença da sociedade civil em relação ao problema, gerando a falta de controle e a impunidade dos agentes dessas práticas criminosas.
Ver texto na íntegra Palavras-chave: grupos de extermínio; meninos de rua; política criminal.
Judith Sena da Silva Santana
O fenômeno dos meninos e meninas de rua vem sendo produzido por uma história de desrespeito aos indivíduos que compõem a sociedade, em especial a criança e o adolescente.
Vivendo o cotidiano da rua, existem dois tipos de crianças e adolescentes. Há aqueles que passam o dia na rua fazendo seus biscates ou simplesmente perambulando que, quando se cansam, geralmente à noite, voltam para suas casas, mantendo o vínculo familiar. Esses são denominados "meninos na rua". E há aqueles que já perderam o vínculo com a família ou cuja perda está se processando. Estes, ou não dormem mais em casa, ou o fazem esporadicamente e são considerados "de rua".
Ver texto na íntegra http://www.abennacional.org.br/revista/cap2.4.html
O goulash, gulache, Gulasch (em alemão) ou gulyás ([ Pron. IPA: /gujaʃ/] em húngaro) é um guisado de carne de vaca, a que por vezes se adiciona carne de porco, cortada em cubos e rapidamente alourada em gordura quente, juntando-se-lhe então farinha, cebola e especiarias, sendo depois o conjunto cozido em água. O autêntico goulash (significando em húngaro, comida de vaqueiros) era preparado pelos pastores húngaros com carne de vaca cozida, cebolas, banha de porco, pimentão (variante paprica), cominhos, sal e água, sem adição de farinha. É comum o uso de pimenta.
Com origem na Hungria, o goulash é hoje popular também na Áustria e, em geral, em toda a extensão do antigo império austro-húngaro.
É interessante notar que, em húngaro, gulyás é o nome que se dá a uma sopa à base de pimentão (páprica), carne e legumes. Já o goulash tal qual chegou ao ocidente é chamado de 'pörkölt' e pode ser preparado com carne bovina ou suína.
Amora comigo morango, uma aventura pela tragédia da filosofia.
Amora comigo morango, um livro que não existe. Uma história não contada, a parte íntima de um romance nunca acabado. Afinal o que seriam amoras comigo morangos se tivesse fim?
A delícia do chocolate combinado com o sabor silvestre das frutas vermelhas. Amora comigo morango é um site de relacionamentos onde a humanidade se relaciona com a natureza, a plataforma do futuro.
Um lugar distante onde os pequenos passos nunca alcançaram. Um gato lavando roupa na bacia os trajes de um morador de rua em frente à galeria do rock, amora comigo morango?
A publicidade versando a loucura. Aqueles pequenos países africanos e uma boa noite de sono em um hotel europeu, amora comigo morango é um filme que nunca será rodado por falta de investimento e direção. O roteiro inclui amoras comigo morangos e um belo par de seios com mamilos rosados e uma língua que lambe morangos comigo amoras. Um assalto.
Malotes, caixotes, e humanos pelados falando ao celular e tomando cerveja numa praia de nudismo, amendoins torrados e férias remuneradas, loiras geladas e um mirim pedindo esmolas, amoras comigo morango. Um projeto.
Carreira de sucesso e filhos batizados. Igreja Ortodoxa de um país expatriado. Não se ouve a democracia nem nos ritos nem nos mitos pagãos que evocam e gozam com os corpos, amoras, comigo morangos que é compulsivo e hipertenso.
Congestionamento de bicicletas ecológicas, transportes coletivos e parques eólicos. A fábrica que fechou as portas e as portas que abriram as prisões. A fuga que fugiu de avião fretado, as mulas do tráfico. Barrigas cheias de cocaína. O táxi parou e a boca que escondia um bigode gritou: - Amora!
Vadias e vassalos, reis e rainhas, senhores e senhoras, homens e travestis, crianças e religiões e o mundo inteiro!
Uma música e um acorde no violão embalam a campanha amora comigo morango a fábula da cigarra e a alegoria da caverna. A maça.
Nuvens macias e algodões, programas idiotas de televisão, prostitutas e a rua augusta. Consolação e o consolo oral, anal, falo tomada porque afinal quem lembra das amoras comigo morangos?
Que tédio...
Tendo observado a crescente onda de usuários de crack não somente no bairro onde resido mais também em todo o Brasil e em muitos outros países, casos e mais casos de desestruturação familiar, violência e vidas perdidas em nome do crack, pedras no caminho de viciados do mundo inteiro. Decidi então escrever esse artigo, não no sentido de fazer disso uma campanha preventiva - o que exige muito mais que um artigo e muitos outros esforços - mas sim um informativo que poderá ser usado por quem quer que seja e para que seja.
O que é o viciado?
Vícios existem muitos, drogas existem inúmeras, as drogas farmacêuticas receitadas por médicos, as drogas naturais receitadas pelo povo, enfim inúmeras drogas legais e as ilegais, aqui resumem comentar acerca das drogas ilegais, mais precisamente o crack, o que é o crack? Crack é o nome dado à droga produzida a partir da pasta-base de cocaína, adicionada a um punhado de bicarbonato de sódio, um pouco de água e toda essa mistura é levada ao fogo resultando daí à pedra bruta: o crack. Uma droga cinco vezes mais forte que a cocaína e com alto poder de deixar dependente quem dela alguma vez experimenta - não é o meu caso – pois já tive experiência com essa droga e nem por isso tornei-me um dependente, e sinceramente não achei nada de interessante na “viagem” de fração de segundos que o crack proporciona. Isso longe de ser uma propaganda que busque com que mais pessoas experimentem essa droga é uma amostra de que como eu muitos outros experimentam o crack como muitas outras drogas e não sentem prazer algum e assim não voltam a usar nunca mais e acredito até que assim desfazem-se muitos mitos e tabus referentes a certas drogas e toda propaganda positiva feita por viciados dessas, e em algumas rodas de “amigos” que se comenta sobre drogas irresponsavelmente e chegam até a incentivar outros a usarem equivocadamente. Drogas ilegais são como todas as demais drogas exigem esclarecimento e responsabilidade antes de qualquer contato, ingestão ou experimento. Aqui deixo uma crítica às autoridades políticas, religiosas, familiares, judiciais, policiais entre outras quanto ao fato de que por mais que proíbam certas drogas isso nunca historicamente evitou o consumo das mesmas, lei seca na América do norte e os contrabandistas e locais de venda e consumo de bebidas contrabandeadas, lei de proibição de bebida combinada à direção no Brasil e a enorme quantidade de casos de acidentes envolvendo consumo abusivo de bebidas e direção perigosa. Por mais que se proíba por um lado e se faça propagandas de bebidas alcoólicas até nas manhãs junto a desenhos animados, combinado a corrupção policial para passar motoristas embriagados em paradas policias é conhecido de todos e sabido de que é ineficaz e não soluciona o problema. A questão são valores, respeito, conhecimento e responsabilidade. Enfim sem esclarecimento, educação e transformação de valores, prevenção não somente com propagandas publicitárias, mas também nas relações familiares, nas relações entre indivíduos e entre esses e as autoridades, entre os órgãos públicos, não podem continuar a ser pautadas em códigos judiciais, legais, autoritarismo cego e sem consciência, sem respeito e sem conhecimento, prevenir é informar, esclarecer, levar a conhecer, trazer a luz o mito, o tabu, prevenir é obra que tem de ser construída pela família, escola, meios de comunicação, organizações, por todos. Para terminar a questão o que é o viciado, viciado é aquele que usa, compra, ingere, exercita, pratica seja lá o que for compulsoriamente, sem conhecer o exagero, o limite, as tênues linhas que demarcam as nossas atividades e práticas existenciais e que devem ser respeitadas e conhecidas, tem de existir limites para tudo, para trabalhar, para o lazer, para o esporte, para o ócio, para o sexo, para as drogas, para a brincadeira, para dormir, para o descanso, para os estudos e até mesmo para a fé. Caso contrário se não respeitarmos essas linhas, algo faremos em excesso enquanto outras coisas não iremos nunca fazer ou iremos insuficientemente fazer. Assim podemos pensar em fazer ou praticar tudo aquilo que nos dá prazer, nos faz sentir bem, e também não se esquecer de ajudar a coletividade, produzir e manter-se membro da sociedade, aprender e conhecer o mundo com nossos olhos sempre atentos e esclarecidos, tudo obedecendo às tênues linhas, as medidas comedidas, conscientes e respeitando nosso corpo, nossa família, nossos amigos, nosso trabalho, a escola, os deveres e as obrigações para que com os outros e as outras coisas que fazemos, conhecendo sempre nossos direitos imanentes e naturais por estarmos fadados à liberdade incondicional, sempre que isso for possível e de acordo com nosso conhecimento e limites dados por nós mesmos a partir de informações e experiências adquiridas de todas as formas e por todos os lados. Caso contrário não iremos medir nossos limites por conta de leis que se quer conhecemos e defendemos, não iremos deixar de fazer algo por conta de algo ser alvo de pré-conceitos ou julgamentos hipócritas advindos de outros que não mereça nosso respeito e confiança, assim mesmo deixo que todos saibam que o viciado é um estereótipo, uma invenção sócio política, um projeto de alguém que nunca será você, eu ou quem quer que você conheça. Pois antes de tudo o viciado sou eu, você e toda a sociedade, autoridades, desejos, vontades, abusos e extravagâncias, quem é que não tem um vício? De comprar, de vender, de usar, de fazer, de ser o que não é, de beber, de fumar, de mentir, de enganar, e até mesmo de roubar dinheiro público. Cada viciado antes de ser analisado exige uma postura critica e não comparativa, para que tenhamos conhecimentos e tratamentos específicos para cada viciado, e não estereótipos e tratamentos pré-conceituosos. Associar “o viciado” ao crime organizado, ao tráfico, a bandidagem e a toda violência social é leviano, irresponsável e ignorante, pois se quer existe “o viciado”. O que existem são viciados e para cada um quer queiram quer não se trata de uma pessoa normal, porém doente e como tal necessitando de um tratamento especializado e não somente médico, mas que envolva também família, sociedade, amigos, outras associações e grupos. E antes disso precisa por si só entender que precisa de tratamento, aceite ajuda e seja voluntário e parte ativa no processo de reabilitação própria. Sendo assim o viciado é alguém que merece respeito, que precisa de ajuda, conhecimento e tratamento, porém nem sempre a família, amigos, sociedade e autoridades estão esclarecidas disso e também acerca de toda problemática que envolve os viciados e seus respectivos casos específicos. O viciado em crack Como muitos usuários afirmam a onda do crack é queimar suas pedras e viajar nas imagens que a fumaça cinza forma quando emana dos cachimbos. Esses podem ser improvisados com latas de refrigerante ou cerveja vazias (o flandres), ou até mesmo maricas feitas de cano de pvc para os mais criativos e hábeis. O crack pode ser queimado também junto com maconha ou fumo de cigarro comum, misturado e enrolado em um papel qualquer ou seda de guardanapo, assim é a cigarrilha conhecida como: mescla, melado ou mesclado, varia o nome dado a cada droga de região para região do país. Os viciados em crack geralmente diferem dos viciados em outras drogas pelo efetivo afastamento que estes adquirem após graus de vício que não deixam o indivíduo pensar em nada mais a não ser na próxima pedra e medir toda sua existência a partir do tamanho das pedras, como bem disse Uchôa - autor do livro “Crack: o caminho das pedras” ed. Ática 1996 – No jogo do aspira, prende e solta não há vencedores ou perdedores, o que há é o jogo cruel que a sociedade assiste muitas vezes perplexa e desinformada, sem conhecer acerca do jogo complexo das drogas, sendo pega muitas famílias às vezes de surpresa e sem preparação ou informação, com casos de membro da família envolvido com crack levando a desestruturações familiares e individuais de alcance inimagináveis para quem não enfrenta casos semelhantes, tendo objetos de casa sendo pegos por viciados da família para troca por crack, fuga de qualquer outra relação familiar por parte dos viciados, lassidão, irresponsabilidade e violência contra o próprio corpo assustam quem presencia casos assim. Ao mesmo tempo os viciados mantêm uma espécie de outra vida quando pensados em seus próprios mundos individuais, cooperação entre viciados para compra de drogas para consumo coletivo, camaradagens com outros viciados e solidariedade entre eles é notado logo nos primeiros contatos. Aprendizagens, linguagens, comportamentos e práticas existenciais que mereceriam outro artigo ou até mesmo um livro para expor todas essas relações e ambientes que envolvem os viciados, sejam eles os de baixa renda ou até mesmo os mais abonados e viciados afortunados envolvidos com o crack e com os demais viciados. A ligação entre esses grupos de indivíduos socialmente e economicamente diferentes é comum para eles, e se dá de tal forma não vista em nenhuma outra atividade social ou coletiva, altamente curioso e que mereceria uma investigação própria em outros trabalhos de pesquisa. Enfim traçar os viciados em crack é tão difícil quanto traçar os viciados como um todo. Espero ter contribuído de alguma forma com esse artigo e espero contatos e comentários de quaisquer espécie e teor crítico.
Solomon
Dimensão:20x18x13cm
Ano: 2009
Meu cu pro Vaticano!
Retrato do modelo Júlio contra as proibições ao casamento gay e a homossexualidade.
Dimensão: 17x15x13
Ano: 2003
fernando carpaneda
To the demonstration - 1928
Gathering for the demonstration in the courtyard of the VChUTEMAS
(Higher Institute of Technics and Art) - 1928
Balconies. 1925
Alexandr Rodchenko
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como
tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeiraÁlvaro de Campos, 15-1-1928
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.
Minhas Universidades
Aprendi não só daqueles que brilhantemente feixe de molduras douradas, mas de todos aqueles cuja identificação com foto não saiu muito bem.
Mais de Tolstoi Eu aprendi com os mendigos cegos que cantou em vagões de trem sobre o Conde de Tolstoi. Do quartel Eu aprendi mais do que de Pasternak e meu estilo de verso estava quente "barracko". Eu tomei lições sobre Yesenin em lanchonetes de inválidos de guerra que rasgaram suas camisas listrada de marinheiro depois de derramar os seus segredos simples. verso pisou Maiakovsky não me dá tanto como as etapas sujo de escadas com corrimão polido por calças dos miúdos.
Eu aprendi na Zima Junction maioria dos meus avós untalkative não ter medo de cortes, arranhões, raspado e vários outros. Aprendi com ruas sem saída que o cheiro de gatos, torta de pistas spattered, ser mais acentuada do que uma faca, mais comum do que uma ponta de cigarro. lotes vazios foram os meus pastores. Filas de espera a minha mãe de enfermagem. Aprendi com todos os valentões jovens que me deu uma surra.
Eu aprendi de cara-pálida hacks harried com conteúdo fatal em seus versos e vazia de conteúdo em seus bolsos. Aprendi com todos os doidos em sótãos, o cortador de vestido Alka que me beijou no escuro de uma cozinha comunitária.
Eu fui posto para fora junto das marcas de nascença da Pátria de arranhões e cicatrizes, berços e cemitérios, casebres e os templos. Meu primeiro globo era uma bola de pano, sem fios estrangeiros, tijolo com as migalhas que adere a ela, e quando eu forcei meu caminho para o mundo real, Eu vi - ele também era feita de retalhos e também sujeito a pancadas. E amaldiçoou o sangrento jogo de futebol, onde eles brincam com o planeta sem refs ou regras, e os resíduos do planeta minúsculo, que eu tocava,
Eu comemorei! Eu fui ao redor do planeta como se fosse uma gigantesca estação de Zima, , e eu aprendi desde as rugas das mulheres de idade, Agora vietnamita, agora peruana. Eu aprendi a sabedoria popular ensinadas pelos pobres em todo o mundo e escória, o cheiro Eskimo para gelo, e o italiano sorrindo desespero não. Eu aprendi de Harlem não considerar a pobreza pobres, como um Black cujo rosto só é pintada de branco. E eu compreendi que a maioria se inclina seu pescoço por conta de outrem, e nas rugas dos pescoços
Os couros minoria como se em trincheiras. Estou marcado com a marca da maioria. Eu quero ser seu alimento e abrigo. Eu sou o nome de todos sem nomes.
Eu sou um escritor para todos aqueles que não escrevem. Eu sou um escritor criado por leitores, e os leitores são criados por mim.
Minha dívida foi paga. Aqui estou eu seu criador e sua criação, uma antologia de você, uma segunda edição de suas vidas. Eu fico mais nua do que Adão, rejeitando alfaiates da corte, a incorporação das imperfeições - seu e meu. Eu me levanto em ruínas dos amores que eu destruídos. As cinzas de amizades e esperanças friamente voar por entre meus dedos. Sufocando em mudez e o último homem a entrar na linha, Eu morreria por qualquer um de vocês, porque cada um de vocês é a minha pátria. Estou morrendo de amor e eu com dor de uivar como um lobo. Se eu te desprezam - Detesto me ainda mais. Eu poderia falhar sem você. Ajuda-me a ser o meu verdadeiro eu, não se inclinar para o orgulho, para não cair no céu. Eu sou uma sacola de compras recheado com clientes de todo o mundo. Eu sou um fotógrafo de todos, um paparazzo do infame. Eu sou o seu retrato comum, onde muito ainda precisa ser pintado. Seu rosto é meu Louvre, meu Prado privado. Eu sou como um reprodutor de vídeo, cujos cassetes são carregados com você. Eu sou uma tentativa de diários por outros e uma tentativa de um jornal em todo o mundo. Escrito por si com o meu pen-dente marcado. Eu não quero te ensinar. Eu quero aprender com vocês.
Yevgeny Aleksandrovich Yevtushenkoarquivo de poemas
You don't know how long I've been, Watching the lantern dim, Starved of oxygen, So give me your hand, And let's jump out the window.
Tela by: Catadores de Rua (Cláudio Dickson)
"Dentro do mambo, e da consciência
Está o segredo do universo"
"Você que não se deixa delirar com a lua mãe
O Sol que brilha nela e que promessa da tua luz
Enquanto os Transeutes na avenida comercial
Muitos preocupados sem saber
O que pensar"
"Você está no mundo só tem uma opção
O caminho é longo, homem, ser feliz ou não
Queimando a consciência e a sequência que ela traz."
"Momentos diferentes que confundem tua paz"
"Trabalha cego para receber o Prêmio Nobel
De um freguês daquilo que você já fez
Já fez"
clique para ampliar
DIA 16 DE MAIO, MARCHA DA MACONHA FORTALEZA
começando as 15:00 HS.
LOCAL: A concentração da passeata será no Anfiteatro da Beira Mar (horário sujeito a mudanças) terminando no Aterro da Praia de Iracema.