RUA
Sobre uns e outros e alguns mais
Alguma coisa aconteceu
- não fui eu!
Talvez o eu se perdesse
- do eu!
Em meio a multidão voraz
- por mais!
Que eu estivesse sem a grana
- a gana!
Dos infelizes reintegra o mal
- total!
E chega o tempo final, anunciando o caos exibindo o rosto de um garoto pedindo no sinal, fotografias de favelas com lições de moral e gente passando fome e mal nas filas dos postos de saúde, gente jogando fora, ninguém distribuindo todo mundo acumulando, e gente falsa me falando que isso não passa de um engano?
Desilusão de um casal hippie
[ela chora]
Eu não entendo o que você quer me dizer
Essas atitudes impensadas, não vejo mais aquela mulher
Pela qual me apaixonei
Será que me enganei?
[ela grita]
Parece-me que algo em você evaporou
Afundou em lágrimas, olhe para si
Está transtornada, não entendo
São apenas coisas
[ela olha]
Coisas pelas quais certas pessoas alienam a vida para tê-las
Coisas que destroem aqueles que as possuem
Coisas apenas, das quais não precisamos.
Somos apenas eu e você, lembra?
[...]
Carne e frutas
Permita-me deslizar os dedos, afagar teus louros cachos
Olhar o vento sacudir os galhos e ouvir o som das folhas que tocam folhas e chão
Pausar o tempo
Esquecer-se da seriedade da vida
Fumar um cigarro tragando o desperdício
Louvável carga cerebrina, amontoado de idéias e livres pensamentos
A leveza das coisas simples onde tudo é sensível, tudo é tão pesado que ficar em pé cansa, para evitar jogar fora algo, repousa sentado.
Certa vez esqueceu a janela aberta e foi dormir. No pino da madrugada em um susto repentino notei minha alma alçada em curtas asas pela janela evaporando com o ar.
Minha ossada, corpo sem alma não é nada, na cama estava e ficou.
Engana-se quem acreditar que somos o que a aparência nos dá.
No futuro quando a pele começar a maracujá, tu verás que perecível é aquilo que os olhos alcançam e como todo perecível um dia estraga, morre e na terra seca.
Morte
I
Lembramos da vida quando esbarramos com a morte, quando alguém falece a noticia corre sem pernas.
Não há tecnologia que ultrapasse a velocidade das línguas donas-de-casa, dizem:
“Noticia ruim corre rápido” por isso no telejornal tudo é em tempo real.
Ironizamos o tema morte, mas quando se trata de alguém que amamos, da perda de um ente querido à ironia é mergulhada em dor.
Uma dor que não fere a carne, mas uma dor que faz a alma padecer em lágrimas, dor que faz lembrarmos dos tempos de outrora, sorrisos e costumes, episódios que só nós temos conhecimento.
Existe uma história na qual somos o próprio acervo.
Neste momento daríamos tudo que possuímos por um último beijo, um último abraço e cheiro. Nisso não perderíamos em nada porque seriam os últimos gestos de carinho respeito e afeto. Últimos...
II
A força que nos dá a vida nos move, nos faz sorrir e chorar, fortes e fracos ao mesmo tempo. O amor é essa força.
E quando alguém que amamos embarca na grande viagem todo o acúmulo de amor dessa pessoa explode em múltiplos fragmentos, que é depositada nos corações daqueles que ela amou. Ela partiu, mas deixa semeado no coração dos que ficam uma parte de seu amor em nome do amor que por ela fora ofertado.
Guilhotina poética
Estou perdido, jogado ao ermo
Alguém me escarrou, ninguém me inspira
Entrada involuntária, pouso de emergência
- Não acho saída.
Sento no solo contaminado
Vejo uma grande esfera
Que na cara me esfrega, dor.
Seu exterior é estereotipado
Seu interior, ludíbrio alternado
O estômago frouxo, exaurido de fome
Homem comendo homem
Não é homossexualismo, é fome!
As palavras correm da criatividade masoquista
Escondem-se embaixo da pia
São pegas, decapitadas, transformadas em ódio
Lágrimas e uns três quartos de merda.
Conjunto coeso sumiu, poema inacabado
Confuso, carregado de defuntos de entes queridos
Palavras mortas
Dolores ou Mercedes
O amor é ambíguo
Tal como Dolores ou Mercedes
O amor é bandido
Tal como a indecisão e o indeciso
O amor é simplório
Tal como a paixão e o monótono
Confuso, como o certo ser o errado
A verdade aos outros um absurdo
Verdade inexistente
E se o amor é patético
Sejamos patéticos.
Madrugada de horrores
A madrugada estava tão excitante quanto uma virgem vestindo a própria nudez desflorada.
Estava ele perdido em ruas pouco iluminadas, vagueando em devaneios privados.
Uma névoa encobria sua sensatez, loucos cotidianos. Individualista ao extremo, solidão como companhia, Prozac e outras pílulas são suas amantes. Contra a insônia nada funciona, exceto sono.
Queria ser Deus por um dia, obras de barro, abismos, mulheres, lançar chamas contra encéfalos podres com um brado retumbante ensurdeceria a loucura e dançaria um tango com a morte, tomando um absinto e tragando a vida, choraria o tempo e não lamentaria.
Correr nu derrubar edifícios com sopros e esbarrões. Gargalhar e boa noite, que as trevas domem a essência humana.
Embriagado com a perplexidade do vácuo, sentado no alto de uma colina.
Desligando o aparelho de televisão.
LHC
Aberto o tempo a liberdade diluiu-se num vasilhame de vermes
No espaço formara-se uma malha tecida de órgãos atômicos
Acelerados. A confluência com o abstrato resultou numa partícula caos.
Envolto em um prisma onde a ótica e a lógica é difusa em bilhões de elementos que se multiplicam numa velocidade “n” vez maior que a velocidade da luz.
Nem todas as descobertas são invenções, algumas achadas em meio ao espaço.
A utilidade de novos elementos para a inutilidade de velhos materiais.
Descobrir mais sobre a existência ou acelerar o processo de extinção da humanidade.
“A confusão é sólida”.
A desintegração conceitual da felicidade traz a supressão dos desejos da vontade e do querer. Valorizando a monotonia e a dor simbolizadas pela normalidade sistemática de rotinas. Cotidiano apático o homem vive em torno do vácuo existencial.
Quem é?
A nudez do teu sexo que evoca meus demônios libertinos esse perfume opiáceo.
Quero introduzir-me em ti, sentir o fogo dos teus lábios, deslizarem em seus seios línguas, na preciosa meus desejos. Serpente envenena-me e mate-me de prazer.
(AAaahhhrrrtssaah .... ZzzzzZZzzzZZZzzz!!! – TAXI – 6969-6969)
Marta
Triste é morrer sem ser notada
E todas as palavras engolidas
Areia na boca, enterrada viva
Não aventurou se em suas paixões
Nos olhos monotonia
Idéias cerceadas, desuso que atrofia
Pegas te o trem da madrugada
Trilhos que a levariam ao nada
A sua espera Flores, Essências e Exóticas Cores.
No peito um Cravo, o beijo de Marcos
Saudosismo por um amor que nem deverás sentia, nem nunca vivera.
No trem a música que já para de tocar
A batida do coração que desacelera
Pela janela avista-se o mar
Como seria lá estar de pés descalços,
Cigarro nos lábios a entrar nas profundezas das águas
Caminhar ao lado de peixes e arraias, corais, baús e colares de pérolas.
As flores azuis do vestido estão mortas. Lembra se do bilhete deixado na porta:
“Estou a passear pelos jardins do bem e do mal, cultivarei flores transfiguradas com pele humana, usarei o corpo que ficará para trás como cobaia.” Marta
Magia
A loucura dos deuses padece no céu cor de chumbo.
As flores murcham na terra seca e o Sol esconde-se entre as nuvens cinza.
Luz no muro da intolerância.
Feridos os corações, transformados anjos em bestas.
Sonhos e pesadelos.
O mundo nunca mais será o mesmo. Vedem os olhos, tapem os ouvidos, há fogo lá fora e a multidão sofre aos gritos.
O desespero se nota nas lágrimas dos que lêem o livro de sentido viés, fracos e amedrontados seres fiéis.
Fadas com clarinetas, lançam notas musicais no ar, melodias doces para confortar a perda e a derrota.
Ciência
No porão, corpos embalsamados sentados em cadeiras enfileiradas dispostas como em uma sala de aula. Corpos com as mais horríveis mutilações, pedaços de outros corpos costurados, formando terríveis aberrações, faces cortadas e olhos estripados, montagens antropomórficas, estranhas cenas de mórbidas feições.
Logo à frente das cadeiras, uma poltrona de couro, nela sentado um rapaz, com aparência bela e limpa, óculos de armação fina e cabelo curto aos mortos leciona:
Ciências Humanas
“A beleza da coisa pode não estar visível.”
Luz
Escadas nos levam para cima
Do alto o que você pode ver?
Numa cobertura, segredos e silêncio
Tão afastado da realidade em seus pensamentos
Só consegue se ver no espelho da grande janela do apartamento
Porque do contrário a cidade iria engolir o corpo
Que padece sozinho num canto vazio da sala de estar
Sala de não estar lá, sala vazia
Chorando calado, tão triste
Que nem podia ver como a lua
Tão bela a lua
Apontava no céu as estrelas, tão juntas, tão longes e tão sozinhas
Nem por isso deixam de ser luz
Luz no céu escuro, luz no muro
Luz no céu escuro, o caos
Luz no céu escuro, tão bonito
Luz no céu escuro, um trago seco
Um gole amargo, um cheiro e um “thau...”.
Terreno baldio
Um terreno baldio que ninguém bem sabe a quem pertence. No terreno garrafas plásticas contorcidas, vidro pintado, pneus cadeiras e móveis criados com peças eletrônicas quebradas, fogo e luz de vela.
Arames farpados em uma peça de madeira talhada repousam encostados junto a uma mangueira, pessoas espalhadas pelo terreno fazem, falam e escutam sem parecer se importar umas com as outras, numa espécie de comunhão.
Na entrada uma faixa pendurada anuncia:
“Sexta-feira convida a todos para celebrar a noite”
Começam a chegar mais um monte de gente, ninguém parece estar perdido, a lua ilumina e o céu estendido e estrelado faz fundo a fumaça do fogo que se dispersa dançando no ar.
As velas em peças trabalhadas tornam o ambiente mais curioso e iluminado, enquanto um violeiro toca sentado em um caixote de frutas, o bêbado sorri em volta da fogueira e dança como um lobo solitário.
Sabugos de milho são assados no fogareiro de tijolos e galhos.
Crianças entram no terreno para brincar na oficina e no meio de um fogo de gente que já dança e brinca com o bêbado, descontraídos.
Menu
O sol nasce na fenda da vadia Terra
Qual filho de Deus hoje também nasceu
Quantos foram crucificados durante a noite
Culpa dos romanos ou dos ateus
Ou fora uma investida do exército americano
Queria saber o que rola no inferno
Será que Hitler encontrou-se com os judeus
Fez bons amigos, tirou o bigode
Afinal aquilo era horrível
Alguma banda de rock fazendo sucesso
Ou mestre Leonardo prefere ouvir cantar os clérigos
Será que lá embaixo rola muito sexo
Com churrasco de burguês
Entrada vísceras de reis
Os selvagens devem adorar o cardápio, afinal não eram antropófagos.
O inferno não deve ser nada mal, o mundo encontrando-se de cabeça para baixo, lá há de ser os céus.
Jogos
“Os outros fingem não ser vistos, enquanto eu finjo não os ver.”
Há quanto tempo você não vê o sol
Não vai a praia ver a beleza do mar
Não senta no chão
Despreocupado
Descalço
Com as mãos dadas, descaso legal.
Quem se importa com quem trabalha servindo atrás de um balcão de bar altas horas?
- Truco
- Triste
- meio
- pau
- doze ladrão!
24h
Lascivo espaço entre o corpóreo
Lascivos corpóreos argüiram o vulgar
Cônego e Salazar sermos o que somos
No céu brotam virgens, santas nuas recém saídas da rua Augusta
O puro desejo da alma não está na vaidade ou na glória
É um projeto Natal Funeral do Noel
O amor arruinou nosso relacionamento, uma excepcional justificativa de término, tal como morrer feliz enclausurado em tédio.
Lembrete
Amar alguém nem que seja por um mês.
Ora é desespero. Ora é angustia e dor. Ora e oração descabida, ora é flagelação e dor.
“Orar é um horror” 24:00
Sobre uns e outros – Parte 01
Vampiros urbanos, sugando ciganas
Viajando e sorvendo, marihuana
São tempos de guerra
De vícios e festas
Seguimos curtindo a nossa seresta
Olhos, copos, corpos tortos
Cartas, sangue vinho e bojo
Vida embalada entediante e comprimida
Nômades sociais e hippies sem saída
Abortos econômicos e gravidez a vácuo
Ermo no picadeiro e pilhérias no senado...
Carta estúpida
Poética Gastronomia
Vendo sonhos amargos, pesares e frustrações
O pai, a mãe e todas as demais paixões
Vendo o filho, o espírito santo e um amém
Não me pergunte pra que, nem pra quem.
Vendo os rins, o fígado e o coração
A casa de campo, de praia e do caralho
Vendo a fome, a miséria e o meu ordenado
Para o último, traga um pequeno saco!
Vendo o céu, as estrelas e o Sol
Escrituras falsificadas por Deus
Vendo o pobre, o estapafúrdio e o burguês
Não o leve a ma, considere sua estupidez!
Vendo um livro de história exploração e crueldade
Castelos feudais, imperialismo e revoluções industriais
Vendo as pirâmides de um faraó
Pedras manchadas de sangue e suor
Vendo fragmentos de mentiras
Para uma fragmentada porção orgânica
Que saiba degustar verdades em poesias
Morada esverdeada
Tudo começa nos teus olhos
O mundo torna-se simples e belo
Nunca mais serei o mesmo
Não se compra sorriso, nem um beijo.
Os controles das horas se cessarão
O tempo não mais existe
No seu corpo, na sua face
Há um infinito paraíso
Permita-me sentir seu coração
Nele abrigar-me, viver
Semear o meu amor
Tudo começa nos teus olhos
Onde não existe o fim, nem o meio
Só você eu e nossos simplórios desejos.
Quinze para as oito
Em uma noite singela, porém bela
Ficamos a nos beijar
Tu me tens em teus braços
Nos laços vivemos até debelar, nosso amar.
Romance silente, oculto e perene
Até nunca mais
E o que me traz, todos os dias até você
É o porvir perceber:
Que podemos um só dia viver
Todo o nosso existir
“Podemos ter
um ao outro sempre,
em medidas homeopáticas
e doses de transparência.”
Futuro
Poderia sonhar idealizar um futuro, que tivesse como base a constituição de uma família, filhos, casal estável, cachorro, carro na garagem, casa confortável, plano de saúde, emprego bem remunerado e seguro. Poderia.
Na realidade as coisas não funcionam desta maneira para todos.
De nada vale este conjunto medíocre e reducionista de família padrão social, produto da sociedade de consumo, egocentrismo e alienação.
Triste saber que a grande valia da vida fora resumida a posse, aos bens, ao estético forjado, manipulado, as crenças ideológicas, ao anseio individualista, as grandes utopias do dito “bem-sucedido”.
Oficialização do saber, estruturas físicas concentrando cordeiros pensantes, futuros médicos, bacharéis em direito, engenheiros, economistas privados, etiquetados, expostos no mercado de trabalho, prateleiras saturadas, acirradas, seleção, exclusão, promoção e fortuna, infortúnios e corrupção.
Somos todos ótimos clínicos críticos de tudo e de todos, somos todos reflexo de um, cópias imperfeitas, insignificantes e mesquinhos como as baratas.
As baratas sentem-se proprietárias de tudo, todo o espaço ao alcance de suas imundas patas, comem até o que não pertencem a elas, rastejam por toda parte, sujam, invadem, sentem-se mal por isso? Saíram do ralo para comer os restos do jantar.
O que move o mundo, o que o torna imundo?
Lutamos por aquilo que nos interessa mesmo sendo nós dependentes um do outro.
Fazemos sexo e não amor. Matamos no lugar de salvarmos, acumulamos no lugar de distribuirmos, agredimos e odiamos. Afinal quem precisa de perdão?
Esquecer de Deus e olhar para o mundo, a devastação da natureza, as glórias empacotadas em embalagem para viagem, religiões, poder, dominação e más-intenções.
Espiritualidade descartável vendida em igrejas e templos de conveniência.
Fracos por natureza humana, tolos por nascimento. Hipocrisia, vaidade narcisista, fascista no front do espelho, sociedade em devaneios cores e horrores corporation.
Estamos carregados de mágoas, infelizes como as imagens do cinema, fartos e saciados, na mesa refeições artificiais, sentado McDonald falando ao celular sobre o futuro dessa gente.
[Seguimos por um beco imundo, temos como companhia uma garrafa de vodca e duas carteiras de cigarro, os olhos carregados de anfetamina].
- Somos tão felizes.
Que esquecemos que somos um, e que quando este um falece, morre o mundo e suas entranhas.
- Mas é que somos tão felizes.
Por termos um sorriso cáries.mático e morrermos a cada noite, sem sono e sem sede, as vezes acordando e percebendo que ainda estamos no beco, o imundo beco que começamos. Porém o que tememos, deverás tememos é acabarmos nesse beco.
Não percebem que estão acabando com ele.
Coxas de frango e refresco mesmo estigmatizados como esmola ainda recebe o morador de rua. Favor ou método pequeno-burguês de aliviar a culpa de possuir o galinheiro e todo o terreno das laranjeiras, não importa.
! Um suicídio diário, no diário deixado confissões perturbadas, motivações do êxito, desculpas e desabafos da única sinceridade dita – “ O mundo me enoja”. – é tão corajoso, agressivo e penoso. !
Tem uma fotografia na sala de jantar, nela tem um garoto, no garoto uma sinceridade infantil, pureza e vestígios do contágio hipocrótico nos olhos que ainda brilham.
Quando crescer o pobre que ser mercador de escravos ou subordinado escravo de uma companhia transnacional. O garoto já sabe escrever, ontem à noite ele escreveu que a outros meninos que moram nas ruas e que cheiram cola e pedem esmola, para a compra de mais cola por não terem grana o suficiente para compra de uma verdadeira droga, aquela que os levassem direto para o ralo.
O garoto é atrevido e gay, gosta de outros garotos, beija na boca e dorme junto, mas não mais essa noite, pois um grupo de outros garotos, com coturnos e cabeças peladas, netos da lavagem cerebrina hitleriana, decidiram expor a violência de suas vidas atormentadas, sem heróis a glorificar ou sentido para gozar expondo o sangue e o amor de garotos que se beijavam na esquina.
[O mundo é mesmo uma casca].
Existem camadas protetoras da diversidade e dos raios ultra libertários.
Amanheceu na cidade, na rua direita carros de supermercados são recolhido, um é roubado por um mendigo, agora servirá para ele carregar a sua vida suja por onde quiser.
O Ocidente não lê a bíblia com o coração. Afinal o que nos move retirando as pernas da questão reflexo imperfeito do Uno?
Arisa em 12 versos
Quem sabe dizer o que é Arisa
Se não a pureza, a vida
Arisa não é estrela, é uma constelação
Pétalas de rosas e sedução
Arisa é uma boca desejável e macia
Um deleite, a princesa futura rainha
Um novo romance
No seu semblante
A magia dos olhos encanta
Movimento é a dança
Corpo pele e intelecto
De certo Arisa não é criança.
Sócrates
Olhara nos olhos da morte como quem olhara nos olhos da mulher amada
Esperara da providência tudo
Acabastes a vida e nada, merencório a contristar
Sobre páginas de livros cegos buscara se enterrar
Milhares de sóis o fizeram entender
Que sabedoria não advém dos estudos intelectuais
E se passa findas horas lapidando tais palavras
É para que se possa aprender cada vez mais
Que nada se pode saber socrático, mas um vício saudável.
In Vitro
A poesia inicia-se com o mundo
Mergulhado numa alusão
Entre o sagrado e o abstrato
O margeado o profundo
Queres o que do mundo poesia?
“flores para enfeitar teus versos
luzes para clarear tuas idéias
reconhecimento em nome de tuas palavras
lágrimas como redenção de teus pecados”
Queres o que do mundo poesia?
Encarnar em um corpo
Para sentir nos nervos os teus versos
Enfeitar-se com flores e embriagar-se no tédio
Diante do espelho de palavras
Notar a fealdade de teus traços
Alma de animal não é literal poesia
No coração de um terceto
Há frustrações e inconcebíveis desejos
Saliva angelical
A placidez dos teus olhos me encanta
Deixam-me cantando ao luar como um louco
Apesar de notar que aos poucos
Nossas vidas podem não mais se encontrar
A contingência nos esconde o porvir do acaso
Embora nosso caso de amor não seja eterno
As ternuras destes versos o imortalizaram
Quero um beijo com sabor de primeiro beijo
Beijar teu corpo inteiro
Sobre a grama do jardim do tempo
E do desejo do teu corpo
No meu corpo um só corpo
De prazer, nos alçando até os céus
Alimentando-se do mel da tua nudez
Tão perfeita que o perfeito
Encabulado se escondeu
No abstrato só restando você e eu.
[2]
No sussurrar das águas uma melodia
Areia da praia lua cheia
Natureza em dueto cantando a poesia
E no calor do corpo da sereia
Que convida o pescador
Como quem convida uma presa
Pra uma dança de corpos
Onde reina a sensualidade da fêmea
Que envolve o frágil coração do homem
Onde a madrugada de amor exótico
E beijos molhados
Termina no alvorecer
Da pescaria que acabara em naufrago.
Tradução de uma poesia
Sinto-me tão fracionado tal como um matemático
Uma fraudulenta risada de uma piada privada
Sinto-me dividido em partes e tal indecisão é complexa
E exata
sorrisos e lágrimas
uma vida contada
Numa piada sem graça
Beijar e a ter em meus braços em abraços
Vou desfazendo pedaços em pedaços o emaranhado de um amor complicado
É fato
resultado ou fracasso
Problemas e matemáticos casam-se todos os dias na ciência da vida
Ou na tradução de uma poesia
Cole esta idéia
O garoto me vende
Adesivos do esquecimento
Cola na irresponsabilidade social
No menosprezo
Cola embaixo da marquise
No sinal
Cola pra aliviar a realidade suja
De garotos adesivos cola cruel
Nos olhos do pequeno vendedor
Ninguém olha
Ninguém nota
Que ele não vende adesivos que nada
O que o garoto
De olhos castanhos
Pequenos e magoados
Vende é dor.
Prometeu
Em um anacronismo juvenil
Ansioso pelo amanhã que tarda
Economizo esforços, palavras
Sem conseguir pensar em mais nada
A não ser no amanhã
Pobre de mim
Remoendo o próprio fígado
A águia e Prometeu
Poderia parar o auto-flagelo
Mas não consigo
Porque sei que amanhã...
...as correntes se rebentarão
E junto à águia minha consciência irá voar
deixando o ego para a matéria
de Prometeu sozinho
terminar por se enforcar.
Valor
O que vale qual valor vale a vida
Terras mercado consumidor riquezas
O que vale qual valor vale a vida
Exploração descaso pobreza
O que vale qual valor vale a vida
Guerras que consomem corpos
Em lutas combates de influências
Imperialismo armado em inconseqüências
O que vale qual valor vale a vida
Revoluções violentas que consomem corpos
Idéias que assassinam opressores
Opressores que assassinam oprimidos
Desenvolvimento capitalista
Imperialismo monopolista
Elite rica
Povo exaurido miserável
Natureza morta
Não é pintura
é morte
O que vale qual valor vale a vida
Bárbara
Sobre uma pedra, sentada a garota olhava as águas
As ondas, o mar em sua imensidão
Sob o céu a escurecer, tempo e corpo
Nos devaneios juvenis, na verde solidão
Pensara em tudo que havia a escondido
O porquê das coisas maduras demais
Que agora aparecem como desconhecido.
O amor desmistificado, seco, sem mágica
A vida nua, despida de encanto
A realidade bárbara
Os olhos vertiginosos, molhados, lágrimas
Perder-se e descobrir-se
Acordar no meio da noite
E não achar ninguém
Ouvir apenas o próprio coração
Ser um novo alguém.
A garota foi embora
Mergulhara nas profundas águas
Afogara-se
Após uma noite
Ressurgiu ela
Olhara em torno da praia
A textura do espaço
O recorte do mundo
Bocejou, pensou e disse:
- sou aquilo que era e hei de ser agora uma mulher, carrego no peito uma vida perdida e no ventre uma nova vida...Sistema
vazio
encantado
mágico
até onde se compara o ver e o entender
ver algo e entender sobre algo
perceber existência
ver o outro, conhece-lo
sentir e senti-lo
- o universo nasce
O mundo cresce
A terra seca
O homem morre
Além do mais
Caros amigos despreocupados
Eu tenho um aviso façamos um trato
Chega de imundice nesse mundo cão
Deixe-o em paz, não o deflagre não
Todo o tempo rouba tudo àquilo que ele tem
Todo o tempo o faz aquilo que não convém
Querem roubar a virgindade do espaço
Querem construir uns condomínios no cerrado
Querem instalar umas indústrias na caatinga
Querem derrubar a Amazônia em um só dia
Eles matam a mata pra plantar capital
Envenenam as águas pra vender mineral
Confinam os homens em selvas de pedra
Como um bando de animais irracionais e anormais e além do mais...
Oh, Deus
Olhe, e pasme-se
O que houve com tudo aquilo
De belo sensato, puro e ético
Veja no que se transformou
A obra humana
Suas fundações enraizadas
Em bases sem fundamentos
O vulgar é o véu
Que esconde o sagrado
E expõe o profano
Há mais deuses que Deus
Há mais criadores que criaturas
A matéria janta a idéia
E esta falece no ermo
De poucas almas febris.
Pobre
O pobre é lixo, o pobre jogado na beira do rio, corpo enxotado, negro pobre favelado.
Aqui ninguém é o pobre
Por mais quanto tempo iremos ter essa desigualdade gritante assolando a grande maioria da sociedade brasileira em nome da opulência e ganância de poucos.
Morte ao opressor em nome de uma sociedade que respeite os direitos de todos os homens que compõe esse todo.
Assaltos, seqüestros e violência contra o capitalismo, capitalistas e defensores desse sistema econômico, social e político que nos enoja e que lutamos para transformar radicalmente.
Crise financeira mundial estampa as atuais páginas de jornal de todo mundo.
A opinião pública diz que tudo será resolvido em breve sem mais problemas.
Mas claramente nota-se que é demasiado otimismo falso patrocinado pelo capital e burguesia que interasse por seus negócios que perdem muito nessa temporada negra para a classe A da sociedade.
Quem tem dólares para perder com essa crise econômica?
A guerra civil no Brasil alguém se interessa em discutir?
Comum
Comum como os estarrecidos olhos diante do novo
Comum como os depravados anônimos em ataque
A solitude
Comum como a omissão humana e descarada
A enfermidade e os raquíticos na África
O sarcasmo e Gana, a confecção da bandeira Americana
O mundo absurdo e mutável
Comum como a loucura do nascer
As pálidas flores ao morrer
A concupiscência ao vulgar
Ao exagero em viver
Comum como os outros
Prazeres e desgostos
O mutismo nos semblantes
Dos servos contemporâneosPorcas
Porcas, parafusos, engrenagens e absurdos
A tecnologia lhe deixando sobre o muro
Passagens para o inferno até as chaves do paraíso
Tudo é produzido desde que possa ser vendido
Indústrias de transgênicos, mercado de alto risco
Porcas, parafusos, engrenagens e absurdos
A tecnologia lhe deixando sobre o muro
Nesse meio não há ética, não se pensa com razão
O que vale é o lucro e o baixo custo na produção
Porcas, parafusos, engrenagens e absurdos
A tecnologia lhe deixando sobre o muro
Pílulas venenosas pra camuflar a depressão
Não enriqueça a indústria farmacêutica
Compre um livro do Platão