RUA

Conhece as ruas então ande nelas como se fossem suas saiba que a gente tem sangue nelas carregamos sempre pedaços dela construímos nossos sonhos destruímos nossas ambições desfazemos ilusões acertamos nossas contas o que seria da marginalidade se não fosse as ruas...

O Barril de Amontillado - Edgar Alan Poe

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TAÍBA CEARÁ BRASIL

Paraisópolis 2

Paraisópolis 1

Capão Redondo -SP - parte 2: protesto e choque

Capão Redondo -SP - parte 1: reintegração de posse

Moradores enfrentam a polícia em favela de São Paulo

Sobre uns e outros e alguns mais

Alguma coisa aconteceu

- não fui eu!

Talvez o eu se perdesse

- do eu!

Em meio a multidão voraz

- por mais!

Que eu estivesse sem a grana

- a gana!

Dos infelizes reintegra o mal

- total!

E chega o tempo final, anunciando o caos exibindo o rosto de um garoto pedindo no sinal, fotografias de favelas com lições de moral e gente passando fome e mal nas filas dos postos de saúde, gente jogando fora, ninguém distribuindo todo mundo acumulando, e gente falsa me falando que isso não passa de um engano?

+++++ POESIAS +++++

Desilusão de um casal hippie

[ela chora]

Eu não entendo o que você quer me dizer

Essas atitudes impensadas, não vejo mais aquela mulher

Pela qual me apaixonei

Será que me enganei?

[ela grita]

Parece-me que algo em você evaporou

Afundou em lágrimas, olhe para si

Está transtornada, não entendo

São apenas coisas

[ela olha]

Coisas pelas quais certas pessoas alienam a vida para tê-las

Coisas que destroem aqueles que as possuem

Coisas apenas, das quais não precisamos.

Somos apenas eu e você, lembra?

[...]

Carne e frutas

Permita-me deslizar os dedos, afagar teus louros cachos

Olhar o vento sacudir os galhos e ouvir o som das folhas que tocam folhas e chão

Pausar o tempo

Esquecer-se da seriedade da vida

Fumar um cigarro tragando o desperdício

Louvável carga cerebrina, amontoado de idéias e livres pensamentos

A leveza das coisas simples onde tudo é sensível, tudo é tão pesado que ficar em pé cansa, para evitar jogar fora algo, repousa sentado.

Certa vez esqueceu a janela aberta e foi dormir. No pino da madrugada em um susto repentino notei minha alma alçada em curtas asas pela janela evaporando com o ar.

Minha ossada, corpo sem alma não é nada, na cama estava e ficou.

Engana-se quem acreditar que somos o que a aparência nos dá.

No futuro quando a pele começar a maracujá, tu verás que perecível é aquilo que os olhos alcançam e como todo perecível um dia estraga, morre e na terra seca.

Morte

I

Lembramos da vida quando esbarramos com a morte, quando alguém falece a noticia corre sem pernas.

Não há tecnologia que ultrapasse a velocidade das línguas donas-de-casa, dizem:

“Noticia ruim corre rápido” por isso no telejornal tudo é em tempo real.

Ironizamos o tema morte, mas quando se trata de alguém que amamos, da perda de um ente querido à ironia é mergulhada em dor.

Uma dor que não fere a carne, mas uma dor que faz a alma padecer em lágrimas, dor que faz lembrarmos dos tempos de outrora, sorrisos e costumes, episódios que só nós temos conhecimento.

Existe uma história na qual somos o próprio acervo.

Neste momento daríamos tudo que possuímos por um último beijo, um último abraço e cheiro. Nisso não perderíamos em nada porque seriam os últimos gestos de carinho respeito e afeto. Últimos...

II

A força que nos dá a vida nos move, nos faz sorrir e chorar, fortes e fracos ao mesmo tempo. O amor é essa força.

E quando alguém que amamos embarca na grande viagem todo o acúmulo de amor dessa pessoa explode em múltiplos fragmentos, que é depositada nos corações daqueles que ela amou. Ela partiu, mas deixa semeado no coração dos que ficam uma parte de seu amor em nome do amor que por ela fora ofertado.

Guilhotina poética

Estou perdido, jogado ao ermo

Alguém me escarrou, ninguém me inspira

Entrada involuntária, pouso de emergência

- Não acho saída.

Sento no solo contaminado

Vejo uma grande esfera

Que na cara me esfrega, dor.

Seu exterior é estereotipado

Seu interior, ludíbrio alternado

O estômago frouxo, exaurido de fome

Homem comendo homem

Não é homossexualismo, é fome!

As palavras correm da criatividade masoquista

Escondem-se embaixo da pia

São pegas, decapitadas, transformadas em ódio

Lágrimas e uns três quartos de merda.

Conjunto coeso sumiu, poema inacabado

Confuso, carregado de defuntos de entes queridos

Palavras mortas

Dolores ou Mercedes

O amor é ambíguo

Tal como Dolores ou Mercedes

O amor é bandido

Tal como a indecisão e o indeciso

O amor é simplório

Tal como a paixão e o monótono

Confuso, como o certo ser o errado

A verdade aos outros um absurdo

Verdade inexistente

E se o amor é patético

Sejamos patéticos.

Madrugada de horrores

A madrugada estava tão excitante quanto uma virgem vestindo a própria nudez desflorada.

Estava ele perdido em ruas pouco iluminadas, vagueando em devaneios privados.

Uma névoa encobria sua sensatez, loucos cotidianos. Individualista ao extremo, solidão como companhia, Prozac e outras pílulas são suas amantes. Contra a insônia nada funciona, exceto sono.

Queria ser Deus por um dia, obras de barro, abismos, mulheres, lançar chamas contra encéfalos podres com um brado retumbante ensurdeceria a loucura e dançaria um tango com a morte, tomando um absinto e tragando a vida, choraria o tempo e não lamentaria.

Correr nu derrubar edifícios com sopros e esbarrões. Gargalhar e boa noite, que as trevas domem a essência humana.

Embriagado com a perplexidade do vácuo, sentado no alto de uma colina.

Desligando o aparelho de televisão.

LHC

Aberto o tempo a liberdade diluiu-se num vasilhame de vermes

No espaço formara-se uma malha tecida de órgãos atômicos

Acelerados. A confluência com o abstrato resultou numa partícula caos.

Envolto em um prisma onde a ótica e a lógica é difusa em bilhões de elementos que se multiplicam numa velocidade “n” vez maior que a velocidade da luz.

Nem todas as descobertas são invenções, algumas achadas em meio ao espaço.

A utilidade de novos elementos para a inutilidade de velhos materiais.

Descobrir mais sobre a existência ou acelerar o processo de extinção da humanidade.

“A confusão é sólida”.

A desintegração conceitual da felicidade traz a supressão dos desejos da vontade e do querer. Valorizando a monotonia e a dor simbolizadas pela normalidade sistemática de rotinas. Cotidiano apático o homem vive em torno do vácuo existencial.

Quem é?

A nudez do teu sexo que evoca meus demônios libertinos esse perfume opiáceo.

Quero introduzir-me em ti, sentir o fogo dos teus lábios, deslizarem em seus seios línguas, na preciosa meus desejos. Serpente envenena-me e mate-me de prazer.

(AAaahhhrrrtssaah .... ZzzzzZZzzzZZZzzz!!! – TAXI – 6969-6969)

Marta

Triste é morrer sem ser notada

E todas as palavras engolidas

Areia na boca, enterrada viva

Não aventurou se em suas paixões

Nos olhos monotonia

Idéias cerceadas, desuso que atrofia

Pegas te o trem da madrugada

Trilhos que a levariam ao nada

A sua espera Flores, Essências e Exóticas Cores.

No peito um Cravo, o beijo de Marcos

Saudosismo por um amor que nem deverás sentia, nem nunca vivera.

No trem a música que já para de tocar

A batida do coração que desacelera

Pela janela avista-se o mar

Como seria lá estar de pés descalços,

Cigarro nos lábios a entrar nas profundezas das águas

Caminhar ao lado de peixes e arraias, corais, baús e colares de pérolas.

As flores azuis do vestido estão mortas. Lembra se do bilhete deixado na porta:

“Estou a passear pelos jardins do bem e do mal, cultivarei flores transfiguradas com pele humana, usarei o corpo que ficará para trás como cobaia.” Marta

Magia

A loucura dos deuses padece no céu cor de chumbo.

As flores murcham na terra seca e o Sol esconde-se entre as nuvens cinza.

Luz no muro da intolerância.

Feridos os corações, transformados anjos em bestas.

Sonhos e pesadelos.

O mundo nunca mais será o mesmo. Vedem os olhos, tapem os ouvidos, há fogo lá fora e a multidão sofre aos gritos.

O desespero se nota nas lágrimas dos que lêem o livro de sentido viés, fracos e amedrontados seres fiéis.

Fadas com clarinetas, lançam notas musicais no ar, melodias doces para confortar a perda e a derrota.

Ciência

No porão, corpos embalsamados sentados em cadeiras enfileiradas dispostas como em uma sala de aula. Corpos com as mais horríveis mutilações, pedaços de outros corpos costurados, formando terríveis aberrações, faces cortadas e olhos estripados, montagens antropomórficas, estranhas cenas de mórbidas feições.

Logo à frente das cadeiras, uma poltrona de couro, nela sentado um rapaz, com aparência bela e limpa, óculos de armação fina e cabelo curto aos mortos leciona:

Ciências Humanas

“A beleza da coisa pode não estar visível.”

Luz

Escadas nos levam para cima

Do alto o que você pode ver?

Numa cobertura, segredos e silêncio

Tão afastado da realidade em seus pensamentos

Só consegue se ver no espelho da grande janela do apartamento

Porque do contrário a cidade iria engolir o corpo

Que padece sozinho num canto vazio da sala de estar

Sala de não estar lá, sala vazia

Chorando calado, tão triste

Que nem podia ver como a lua

Tão bela a lua

Apontava no céu as estrelas, tão juntas, tão longes e tão sozinhas

Nem por isso deixam de ser luz

Luz no céu escuro, luz no muro

Luz no céu escuro, o caos

Luz no céu escuro, tão bonito

Luz no céu escuro, um trago seco

Um gole amargo, um cheiro e um “thau...”.

Terreno baldio

Um terreno baldio que ninguém bem sabe a quem pertence. No terreno garrafas plásticas contorcidas, vidro pintado, pneus cadeiras e móveis criados com peças eletrônicas quebradas, fogo e luz de vela.

Arames farpados em uma peça de madeira talhada repousam encostados junto a uma mangueira, pessoas espalhadas pelo terreno fazem, falam e escutam sem parecer se importar umas com as outras, numa espécie de comunhão.

Na entrada uma faixa pendurada anuncia:

“Sexta-feira convida a todos para celebrar a noite”

Começam a chegar mais um monte de gente, ninguém parece estar perdido, a lua ilumina e o céu estendido e estrelado faz fundo a fumaça do fogo que se dispersa dançando no ar.

As velas em peças trabalhadas tornam o ambiente mais curioso e iluminado, enquanto um violeiro toca sentado em um caixote de frutas, o bêbado sorri em volta da fogueira e dança como um lobo solitário.

Sabugos de milho são assados no fogareiro de tijolos e galhos.

Crianças entram no terreno para brincar na oficina e no meio de um fogo de gente que já dança e brinca com o bêbado, descontraídos.

Menu

O sol nasce na fenda da vadia Terra

Qual filho de Deus hoje também nasceu

Quantos foram crucificados durante a noite

Culpa dos romanos ou dos ateus

Ou fora uma investida do exército americano

Queria saber o que rola no inferno

Será que Hitler encontrou-se com os judeus

Fez bons amigos, tirou o bigode

Afinal aquilo era horrível

Alguma banda de rock fazendo sucesso

Ou mestre Leonardo prefere ouvir cantar os clérigos

Será que lá embaixo rola muito sexo

Com churrasco de burguês

Entrada vísceras de reis

Os selvagens devem adorar o cardápio, afinal não eram antropófagos.

O inferno não deve ser nada mal, o mundo encontrando-se de cabeça para baixo, lá há de ser os céus.

Jogos

“Os outros fingem não ser vistos, enquanto eu finjo não os ver.”

Há quanto tempo você não vê o sol

Não vai a praia ver a beleza do mar

Não senta no chão

Despreocupado

Descalço

Com as mãos dadas, descaso legal.

Quem se importa com quem trabalha servindo atrás de um balcão de bar altas horas?

- Truco

- Triste

- meio

- pau

- doze ladrão!

24h

Lascivo espaço entre o corpóreo

Lascivos corpóreos argüiram o vulgar

Cônego e Salazar sermos o que somos

No céu brotam virgens, santas nuas recém saídas da rua Augusta

O puro desejo da alma não está na vaidade ou na glória

É um projeto Natal Funeral do Noel

O amor arruinou nosso relacionamento, uma excepcional justificativa de término, tal como morrer feliz enclausurado em tédio.

Lembrete

Amar alguém nem que seja por um mês.

Ora é desespero. Ora é angustia e dor. Ora e oração descabida, ora é flagelação e dor.

“Orar é um horror” 24:00

Sobre uns e outros – Parte 01

Vampiros urbanos, sugando ciganas

Viajando e sorvendo, marihuana

São tempos de guerra

De vícios e festas

Seguimos curtindo a nossa seresta

Olhos, copos, corpos tortos

Cartas, sangue vinho e bojo

Vida embalada entediante e comprimida

Nômades sociais e hippies sem saída

Abortos econômicos e gravidez a vácuo

Ermo no picadeiro e pilhérias no senado...

Carta estúpida

Hoje nada passara de coisas simples demais
Simples e encantador, em tudo irei ver beleza.
Como num último toque, um último beijo
Tudo será fácil e em tudo irei ver valor,
Especial, um canteiro, uma flor
Nos trajes das putas, nas placas, no vento.
Vento que corta como foice sonhos
Nos olhos nuvens flageladas. Queria que você estivesse por aqui,
Visse as cores da face de Deus, a desconformidade dos traços do homem,
Desespero que cheira fumaça perturbada.
O suor do sujeito varre ilusões, intolerância, ganância, corpos fracos e esquecidos, como uma vassoura varre toda a complicação das coisas que ontem me valia ouro, valia-me a vida, hoje estão a serem varridas, com o suor da cabeça do nego.

Poética Gastronomia

Vendo sonhos amargos, pesares e frustrações

O pai, a mãe e todas as demais paixões

Vendo o filho, o espírito santo e um amém

Não me pergunte pra que, nem pra quem.

Vendo os rins, o fígado e o coração

A casa de campo, de praia e do caralho

Vendo a fome, a miséria e o meu ordenado

Para o último, traga um pequeno saco!

Vendo o céu, as estrelas e o Sol

Escrituras falsificadas por Deus

Vendo o pobre, o estapafúrdio e o burguês

Não o leve a ma, considere sua estupidez!

Vendo um livro de história exploração e crueldade

Castelos feudais, imperialismo e revoluções industriais

Vendo as pirâmides de um faraó

Pedras manchadas de sangue e suor

Vendo fragmentos de mentiras

Para uma fragmentada porção orgânica

Que saiba degustar verdades em poesias

Poética Gastronomia.

Morada esverdeada

Tudo começa nos teus olhos

O mundo torna-se simples e belo

Nunca mais serei o mesmo

Não se compra sorriso, nem um beijo.

Os controles das horas se cessarão

O tempo não mais existe

No seu corpo, na sua face

Há um infinito paraíso

Permita-me sentir seu coração

Nele abrigar-me, viver

Semear o meu amor

Tudo começa nos teus olhos

Onde não existe o fim, nem o meio

Só você eu e nossos simplórios desejos.

Quinze para as oito

Em uma noite singela, porém bela

Ficamos a nos beijar

Tu me tens em teus braços

Nos laços vivemos até debelar, nosso amar.

Romance silente, oculto e perene

Até nunca mais

E o que me traz, todos os dias até você

É o porvir perceber:

Que podemos um só dia viver

Todo o nosso existir

“Podemos ter

um ao outro sempre,

em medidas homeopáticas

e doses de transparência.”

Futuro

Poderia sonhar idealizar um futuro, que tivesse como base a constituição de uma família, filhos, casal estável, cachorro, carro na garagem, casa confortável, plano de saúde, emprego bem remunerado e seguro. Poderia.

Na realidade as coisas não funcionam desta maneira para todos.

De nada vale este conjunto medíocre e reducionista de família padrão social, produto da sociedade de consumo, egocentrismo e alienação.

Triste saber que a grande valia da vida fora resumida a posse, aos bens, ao estético forjado, manipulado, as crenças ideológicas, ao anseio individualista, as grandes utopias do dito “bem-sucedido”.

Oficialização do saber, estruturas físicas concentrando cordeiros pensantes, futuros médicos, bacharéis em direito, engenheiros, economistas privados, etiquetados, expostos no mercado de trabalho, prateleiras saturadas, acirradas, seleção, exclusão, promoção e fortuna, infortúnios e corrupção.

Somos todos ótimos clínicos críticos de tudo e de todos, somos todos reflexo de um, cópias imperfeitas, insignificantes e mesquinhos como as baratas.

As baratas sentem-se proprietárias de tudo, todo o espaço ao alcance de suas imundas patas, comem até o que não pertencem a elas, rastejam por toda parte, sujam, invadem, sentem-se mal por isso? Saíram do ralo para comer os restos do jantar.

O que move o mundo, o que o torna imundo?

Lutamos por aquilo que nos interessa mesmo sendo nós dependentes um do outro.

Fazemos sexo e não amor. Matamos no lugar de salvarmos, acumulamos no lugar de distribuirmos, agredimos e odiamos. Afinal quem precisa de perdão?

Esquecer de Deus e olhar para o mundo, a devastação da natureza, as glórias empacotadas em embalagem para viagem, religiões, poder, dominação e más-intenções.

Espiritualidade descartável vendida em igrejas e templos de conveniência.

Fracos por natureza humana, tolos por nascimento. Hipocrisia, vaidade narcisista, fascista no front do espelho, sociedade em devaneios cores e horrores corporation.

Estamos carregados de mágoas, infelizes como as imagens do cinema, fartos e saciados, na mesa refeições artificiais, sentado McDonald falando ao celular sobre o futuro dessa gente.

[Seguimos por um beco imundo, temos como companhia uma garrafa de vodca e duas carteiras de cigarro, os olhos carregados de anfetamina].

- Somos tão felizes.

Que esquecemos que somos um, e que quando este um falece, morre o mundo e suas entranhas.

- Mas é que somos tão felizes.

Por termos um sorriso cáries.mático e morrermos a cada noite, sem sono e sem sede, as vezes acordando e percebendo que ainda estamos no beco, o imundo beco que começamos. Porém o que tememos, deverás tememos é acabarmos nesse beco.

Não percebem que estão acabando com ele.

Coxas de frango e refresco mesmo estigmatizados como esmola ainda recebe o morador de rua. Favor ou método pequeno-burguês de aliviar a culpa de possuir o galinheiro e todo o terreno das laranjeiras, não importa.

! Um suicídio diário, no diário deixado confissões perturbadas, motivações do êxito, desculpas e desabafos da única sinceridade dita – “ O mundo me enoja”. – é tão corajoso, agressivo e penoso. !

Tem uma fotografia na sala de jantar, nela tem um garoto, no garoto uma sinceridade infantil, pureza e vestígios do contágio hipocrótico nos olhos que ainda brilham.

Quando crescer o pobre que ser mercador de escravos ou subordinado escravo de uma companhia transnacional. O garoto já sabe escrever, ontem à noite ele escreveu que a outros meninos que moram nas ruas e que cheiram cola e pedem esmola, para a compra de mais cola por não terem grana o suficiente para compra de uma verdadeira droga, aquela que os levassem direto para o ralo.

O garoto é atrevido e gay, gosta de outros garotos, beija na boca e dorme junto, mas não mais essa noite, pois um grupo de outros garotos, com coturnos e cabeças peladas, netos da lavagem cerebrina hitleriana, decidiram expor a violência de suas vidas atormentadas, sem heróis a glorificar ou sentido para gozar expondo o sangue e o amor de garotos que se beijavam na esquina.

[O mundo é mesmo uma casca].

Existem camadas protetoras da diversidade e dos raios ultra libertários.

Amanheceu na cidade, na rua direita carros de supermercados são recolhido, um é roubado por um mendigo, agora servirá para ele carregar a sua vida suja por onde quiser.

O Ocidente não lê a bíblia com o coração. Afinal o que nos move retirando as pernas da questão reflexo imperfeito do Uno?

Arisa em 12 versos

Quem sabe dizer o que é Arisa

Se não a pureza, a vida

Arisa não é estrela, é uma constelação

Pétalas de rosas e sedução

Arisa é uma boca desejável e macia

Um deleite, a princesa futura rainha

Um novo romance

No seu semblante

A magia dos olhos encanta

Movimento é a dança

Corpo pele e intelecto

De certo Arisa não é criança.

Sócrates

Olhara nos olhos da morte como quem olhara nos olhos da mulher amada

Esperara da providência tudo

Acabastes a vida e nada, merencório a contristar

Sobre páginas de livros cegos buscara se enterrar

Milhares de sóis o fizeram entender

Que sabedoria não advém dos estudos intelectuais

E se passa findas horas lapidando tais palavras

É para que se possa aprender cada vez mais

Que nada se pode saber socrático, mas um vício saudável.

In Vitro

A poesia inicia-se com o mundo

Mergulhado numa alusão

Entre o sagrado e o abstrato

O margeado o profundo

Queres o que do mundo poesia?

“flores para enfeitar teus versos

luzes para clarear tuas idéias

reconhecimento em nome de tuas palavras

lágrimas como redenção de teus pecados”

Queres o que do mundo poesia?

Encarnar em um corpo

Para sentir nos nervos os teus versos

Enfeitar-se com flores e embriagar-se no tédio

Diante do espelho de palavras

Notar a fealdade de teus traços

Alma de animal não é literal poesia

No coração de um terceto

Há frustrações e inconcebíveis desejos

Saliva angelical

A placidez dos teus olhos me encanta

Deixam-me cantando ao luar como um louco

Apesar de notar que aos poucos

Nossas vidas podem não mais se encontrar

A contingência nos esconde o porvir do acaso

Embora nosso caso de amor não seja eterno

As ternuras destes versos o imortalizaram

Quero um beijo com sabor de primeiro beijo

Beijar teu corpo inteiro

Sobre a grama do jardim do tempo

E do desejo do teu corpo

No meu corpo um só corpo

De prazer, nos alçando até os céus

Alimentando-se do mel da tua nudez

Tão perfeita que o perfeito

Encabulado se escondeu

No abstrato só restando você e eu.

[2]

No sussurrar das águas uma melodia

Areia da praia lua cheia

Natureza em dueto cantando a poesia

E no calor do corpo da sereia

Que convida o pescador

Como quem convida uma presa

Pra uma dança de corpos

Onde reina a sensualidade da fêmea

Que envolve o frágil coração do homem

Onde a madrugada de amor exótico

E beijos molhados

Termina no alvorecer

Da pescaria que acabara em naufrago.

Tradução de uma poesia

Sinto-me tão fracionado tal como um matemático

Uma fraudulenta risada de uma piada privada

Sinto-me dividido em partes e tal indecisão é complexa

E exata

sorrisos e lágrimas

uma vida contada

Numa piada sem graça

Beijar e a ter em meus braços em abraços

Vou desfazendo pedaços em pedaços o emaranhado de um amor complicado

É fato

resultado ou fracasso

Problemas e matemáticos casam-se todos os dias na ciência da vida

Ou na tradução de uma poesia

Cole esta idéia

O garoto me vende

Adesivos do esquecimento

Cola na irresponsabilidade social

No menosprezo

Cola embaixo da marquise

No sinal

Cola pra aliviar a realidade suja

De garotos adesivos cola cruel

Nos olhos do pequeno vendedor

Ninguém olha

Ninguém nota

Que ele não vende adesivos que nada

O que o garoto

De olhos castanhos

Pequenos e magoados

Vende é dor.

Prometeu

Em um anacronismo juvenil

Ansioso pelo amanhã que tarda

Economizo esforços, palavras

Sem conseguir pensar em mais nada

A não ser no amanhã

Pobre de mim

Remoendo o próprio fígado

A águia e Prometeu

Poderia parar o auto-flagelo

Mas não consigo

Porque sei que amanhã...

...as correntes se rebentarão

E junto à águia minha consciência irá voar

deixando o ego para a matéria

de Prometeu sozinho

terminar por se enforcar.

Valor

O que vale qual valor vale a vida

Terras mercado consumidor riquezas

O que vale qual valor vale a vida

Exploração descaso pobreza

O que vale qual valor vale a vida

Guerras que consomem corpos

Em lutas combates de influências

Imperialismo armado em inconseqüências

O que vale qual valor vale a vida

Revoluções violentas que consomem corpos

Idéias que assassinam opressores

Opressores que assassinam oprimidos

Desenvolvimento capitalista

Imperialismo monopolista

Elite rica

Povo exaurido miserável

Natureza morta

Não é pintura

é morte

O que vale qual valor vale a vida

Bárbara

Sobre uma pedra, sentada a garota olhava as águas

As ondas, o mar em sua imensidão

Sob o céu a escurecer, tempo e corpo

Nos devaneios juvenis, na verde solidão

Pensara em tudo que havia a escondido

O porquê das coisas maduras demais

Que agora aparecem como desconhecido.

O amor desmistificado, seco, sem mágica

A vida nua, despida de encanto

A realidade bárbara

Os olhos vertiginosos, molhados, lágrimas

Perder-se e descobrir-se

Acordar no meio da noite

E não achar ninguém

Ouvir apenas o próprio coração

Ser um novo alguém.

A garota foi embora

Mergulhara nas profundas águas

Afogara-se

Após uma noite

Ressurgiu ela

Olhara em torno da praia

A textura do espaço

O recorte do mundo

Bocejou, pensou e disse:

- sou aquilo que era e hei de ser agora uma mulher, carrego no peito uma vida perdida e no ventre uma nova vida...

Sistema

vazio

encantado

mágico

até onde se compara o ver e o entender

ver algo e entender sobre algo

perceber existência

ver o outro, conhece-lo

sentir e senti-lo

- o universo nasce

O mundo cresce

A terra seca

O homem morre

Além do mais

Caros amigos despreocupados

Eu tenho um aviso façamos um trato

Chega de imundice nesse mundo cão

Deixe-o em paz, não o deflagre não

Todo o tempo rouba tudo àquilo que ele tem

Todo o tempo o faz aquilo que não convém

Querem roubar a virgindade do espaço

Querem construir uns condomínios no cerrado

Querem instalar umas indústrias na caatinga

Querem derrubar a Amazônia em um só dia

Eles matam a mata pra plantar capital

Envenenam as águas pra vender mineral

Confinam os homens em selvas de pedra

Como um bando de animais irracionais e anormais e além do mais...

Oh, Deus

Olhe, e pasme-se

O que houve com tudo aquilo

De belo sensato, puro e ético

Veja no que se transformou

A obra humana

Suas fundações enraizadas

Em bases sem fundamentos

O vulgar é o véu

Que esconde o sagrado

E expõe o profano

Há mais deuses que Deus

Há mais criadores que criaturas

A matéria janta a idéia

E esta falece no ermo

De poucas almas febris.

Pobre

O pobre é lixo, o pobre jogado na beira do rio, corpo enxotado, negro pobre favelado.

Aqui ninguém é o pobre

Por mais quanto tempo iremos ter essa desigualdade gritante assolando a grande maioria da sociedade brasileira em nome da opulência e ganância de poucos.

Morte ao opressor em nome de uma sociedade que respeite os direitos de todos os homens que compõe esse todo.

Assaltos, seqüestros e violência contra o capitalismo, capitalistas e defensores desse sistema econômico, social e político que nos enoja e que lutamos para transformar radicalmente.

Crise financeira mundial estampa as atuais páginas de jornal de todo mundo.

A opinião pública diz que tudo será resolvido em breve sem mais problemas.

Mas claramente nota-se que é demasiado otimismo falso patrocinado pelo capital e burguesia que interasse por seus negócios que perdem muito nessa temporada negra para a classe A da sociedade.

Quem tem dólares para perder com essa crise econômica?

A guerra civil no Brasil alguém se interessa em discutir?

Comum

Comum como os estarrecidos olhos diante do novo

Comum como os depravados anônimos em ataque

A solitude em um Prozac

Comum como a omissão humana e descarada

A enfermidade e os raquíticos na África

O sarcasmo e Gana, a confecção da bandeira Americana

O mundo absurdo e mutável

Comum como a loucura do nascer

As pálidas flores ao morrer

A concupiscência ao vulgar

Ao exagero em viver

Comum como os outros

Prazeres e desgostos

O mutismo nos semblantes

Dos servos contemporâneos

Porcas

Porcas, parafusos, engrenagens e absurdos

A tecnologia lhe deixando sobre o muro

Passagens para o inferno até as chaves do paraíso

Tudo é produzido desde que possa ser vendido

Indústrias de transgênicos, mercado de alto risco

Porcas, parafusos, engrenagens e absurdos

A tecnologia lhe deixando sobre o muro

Nesse meio não há ética, não se pensa com razão

O que vale é o lucro e o baixo custo na produção

Porcas, parafusos, engrenagens e absurdos

A tecnologia lhe deixando sobre o muro

Pílulas venenosas pra camuflar a depressão

Não enriqueça a indústria farmacêutica

Compre um livro do Platão

 
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